Na última segunda-feira de janeiro, dia 26, o Departamento de Ciências Sociais e Humanas, no âmbito das disciplinas de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) e Geografia, promoveu uma palestra dirigida aos alunos do 9.º ano, das EB de Vila Verde e Monsenhor Elísio Araújo. A atividade centrou‑se na temática dos Direitos Humanos e Contrastes de Desenvolvimento, proporcionando um contacto direto com testemunhos reais e profundamente inspiradores.
A sessão contou com a presença do Pe. Joaquim José Moreira Silva, missionário comboniano, que dedicou dez anos de missão ao povo Gumuz, na Etiópia. Este povo, frequentemente “escravizado” por tribos predominantes e “desrespeitado nas muitas dignidades”, vive a cerca de 530 km da capital, permanecendo à margem da restante população. O missionário partilhou com os alunos a sua experiência no terreno, evidenciando as desigualdades sociais, económicas e humanitárias que marcam o quotidiano de muitas comunidades.
O Padre Joaquim descreveu o povo Gumuz como “muito simples, mas de sorriso no rosto”, relatando o acolhimento caloroso que recebeu. Explicou ainda o trabalho desenvolvido com os catequistas, procurando juntos identificar “sinais da presença de Deus na cultura”. Referiu que, numa comunidade onde a vingança era uma prática comum, o grande desafio consistiu em descobrir caminhos de transformação à luz do Evangelho: “Querer e ser cristão pede mudança de vida; adequar os costumes ao que Jesus ensina não é um caminho fácil, mas foi muito bonito”, partilhou. Acompanhou também casais convertidos ao cristianismo, ajudando‑os a integrar fé e cultura, culminando na celebração do matrimónio cristão e do batismo dos filhos – “fruto de um caminho que se ia assimilando e onde o Evangelho entrou e transforma”.
A palestra integrou ainda o testemunho de Afonso, um jovem de 20 anos, que apresentou o seu percurso ao nível do voluntariado, que teve o seu início nas Jornadas Mundiais da Juventude de 2023, em Lisboa. A sua intervenção destacou a importância do compromisso cívico, da solidariedade e da participação ativa na construção de um mundo mais justo e fraterno, incentivando os alunos a refletir sobre o papel que cada um pode desempenhar na defesa e promoção da dignidade humana, bem como do enriquecimento de conhecer novas pessoas, do contacto com novas culturas e tradições, que transformam a nossa forma de viver.
No final, foi deixado um apelo à juventude para que se mostre “generosa no convite à missão”, entendida como abertura ao encontro com o outro e com o diferente, uma forma de “alargar os horizontes do coração”.
A atividade revelou‑se um momento de grande enriquecimento pessoal e académico, reforçando a ligação entre os conteúdos curriculares e a realidade global. Professores e alunos sublinharam a relevância da iniciativa, que contribuiu para uma maior consciencialização relativamente às desigualdades mundiais e ao valor da ação humanitária.
Prof. Isabel Barros













